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terça-feira

A TUNICA EXTERIOR/A VESTE INTERIOR

Algumas vezes chamada de capa, essa peça era uma espécie de agasalho, que se usava como hoje usamos um paletó ou blusão. Possivelmente era apenas um pedaço de tecido em formato de quadrado, com uma abertura no meio, para se enfiar a cabeça. Essas capas eram tingidas de cores alegres ou então listradas, e o tecido utilizado poderia ser um linho fino ou uma fazenda mais rústica, dependendo das condições econômicas do usuário. Um ho¬mem que se prezasse não entraria no templo sem estar convenientemente vestido com sua capa.
A capa era uma peça muito importante e de grande valor, e em muitos casos era motivo de orgulho para seu possuidor. Quando uma pessoa sofria um revés financeiro, podia empenhar a capa para obter dinheiro. Mas, pela lei, ela teria que lhe ser devolvida antes do anoitecer, já que ele a utilizava também como cobertor. Por ocasião da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, as pessoas que estavam na rua estenderam suas vestes pelo caminho, num gesto de homenagem a ele (Mt 21.8).
Havia algumas pessoas que possuíam túnicas de excelente qualidade, com franjas na bainha. Mais tarde passaram a colocar franjas também na túnica de baixo, e, por último, nos xales que vestiam para orar. Inicialmente, essas franjas eram presas à veste por um cordão de cor azul, e tinham por finalidade relembrar ao usuário os mandamentos de Deus (Nm 15.37-41). Com o passar do tempo, alguns começaram a exagerar essa prática. Alguns fariseus, por exemplo, usavam franjas bem compridas para que todos vissem que eram devotados aos mandamentos de Deus. Jesus chamou isso de hipocrisia, já que o faziam só para serem vistos (Mt 23.5).
Escrevendo a Timóteo, Paulo lhe pede que lhe traga alguns objetos pessoais que prezava muito, dentre os quais cita uns pergaminhos e sua capa (2 Tm 4.13). Ela lhe seria de muito valor numa noite fria, naquela prisão romana. No primeiro século, os ricos passaram a usar túnicas maiores e de melhor qualidade. Assim demonstravam sua condição de abastados (Tg 5.2), contrastando com a maioria do povo, que possuía apenas uma túnica simples.
De posse de todas essas informações sobre a túnica exterior, podemos compreender melhor o que Jesus diz a respeito dela em Mateus 5.40. Ensina ele que, se alguém demandasse com um de seus discípulos e quisesse tirar-lhe a túnica (a veste interior), este deveria entregar-Ihe também a capa (túnica exterior). É interessante observar que em Lucas 6.29 a situação é colocada na ordem inversa. E ele ensina que o discípulo deve agir assim, mesmo sabendo que a lei mosaica tinha dispositivos para a proteção da posse dessa vestimenta (Ex 22.26,27). Jesus sabia do grande valor da capa como objeto pessoal, mas, apesar disso, ensinou que seus seguidores deviam entregá-la voluntariamente ao adversário. Pela lei do amor, ensinada por Jesus, nossos "direitos pessoais" vêm em segundo plano em relação aos desejos e necessidades dos outros.
Algumas pessoas não conseguiam resistir à tentação de ostentar pelas praças suas belas capas. É por causa disso que Jesus critica os escribas religiosos que se exibiam com capas vistosas (Lc 20.46), que na verdade eram túnicas talares, mas tinham maior preocupação com uma bela aparência, do que em atender ao próximo.
Não há dúvida que a capa de mais triste lembrança na história é o manto de púrpura com que os soldados vestiram Jesus num gesto de zombaria (Jo 19.2). O roxo era a cor da realeza, mas no caso de Cristo, o manto, acompanhado da coroa de espinhos, era a expressão do desprezo que eles votavam ao Messias.
Os israelitas gostavam muito da cor roxa, assim como os cananitas também. A tinta utilizada para obter essa cor era retirada de uma espécie de caramujo, e muito valorizada em todo o mundo. Era fabricada em diversos tons. Para a construção do templo, Salomão havia mandado buscar em Tiro homens que soubessem trabalhar em obras de púrpura (2 Cr 2.7).
No Velho Testamento são mencionados dois casos em que essa túnica exterior tem um papel importante: na história de José e na do gigante Golias. A capa de José ganha certo destaque na Bíblia em parte por causa de uma tradução incorreta. Na verdade, não se tratava de uma túnica de várias cores, como diziam algumas versões, mas de uma veste de mangas longas (Gn 37:3). A capa de manga longa era indicação de que seu usuário era uma pessoa importante que não poderia realizar trabalhos corriqueiros. Naturalmente, os irmãos de José se ressentiram disso, e resolveram tentar matá-lo.
A imensa capa do gigante Golias era uma couraça, que pesava cerca de 55 quilos (1 Sm 17:5). Tratava-se de uma antiga peça de ar¬madura recoberta de centenas de escamas de metal pregadas umas às outras, para protegê-lo de lanças. Na batalha de Megido, foram recolhidas cerca de duzentas dessas capas.

A veste interior
A peça básica do vestuário de um judeu era a túnica, uma espécie de camisa longa, semelhante a um vestido ou a uma camisola de dormir. Como a capa, era feita de lã ou linho.
Nas menções a roupas que encontramos na Bíblia, às vezes é difícil saber com certeza quando se trata dessa veste interior e quando se fala da capa. Portanto, ao fazer a descrição delas, ora apresentamos fatos, ora apenas conjecturas.
Essa túnica poderia ser de uma cor só, ou de muitas cores. Algumas tinham também bordados, como a capa.
Para muitos judeus, as roupas eram um símbolo de status, por isso aquilo que João Batista falou a respeito delas deve tê-los deixado meio incomodados. O profeta afirmou que quem tivesse duas túnicas devia dar uma para quem não tivesse nenhuma (Lc 3.11). E, ao que parece, também Jesus achava que era fácil uma pessoa ficar obcecada pelo desejo de possuir boas roupas. Ele ensinou que, assim como as flores não se preocupavam, nós não deveríamos preocupar-nos com roupas (Mt 6.28-33).
É interessante notar que quando Jesus narrou a parábola do rico e Lázaro (Lc 16.19) ressaltou o fato de que o rico egoísta tinha roupas de púrpura e linho finíssimo. Isso é digno de nota pois normalmente ele não se preocupava em mencionar o que as pessoas vestiam. 0 termo púrpura talvez designasse um dos diversos tons que ia desde o roxo profundo, até o azul profundo, passando pelo carmesim. A túnica interior de linho, usada pelos homens, era feita de uma fibra tingida de amarelo, que era importada do Egito, e se chamava bisso. Era tão luxuosa que os egípcios falavam dela como de "um tecido feito de ar".
No texto bíblico que relata que o sumo sacerdote rasgou suas vestes ao ouvir a declaração de Cristo, não há indicação clara sobre qual das duas ele teria rasgado. O termo empregado em Marcos 14.63 designa uma veste interior, mas o de Mateus 26.65 sugere uma peça exterior. O historiador Josefo afirma que ele deve ter rasgado a de baixo. Mas é possível que tenha sido ambas.
A roupa que Jesus estivera usando na ocasião da crucificação e que os soldados tiraram, certamente era uma túnica interior (Jo 19.23). (Eles já haviam tirado o manto de púrpura que tinham vestido nele para fazer a zombaria.)
Essa túnica interior de Jesus era sem costura, portanto, de boa qualidade. Embora não fosse nada de extravagante, era uma peça de valor. A túnica interior do sumo sacerdote era desse tipo, sem costura. Eles perceberam que seria desperdício dividi-la em quatro partes. A distribuição das peças entre eles foi o cumprimento da profecia do Salmo 22.18.


Deus o abençoe......

Um comentário:

  1. a paz esta capa de joão 19:23 a capa que jesus usava quando valia nos dia de hoje.

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